Panorama Epidemiológico da Doença de Chagas no Brasil: Tendências, fatores de risco e impacto em populações vulneráveis: Revisão integrativa da literatura
DOI:
https://doi.org/10.33448/rsd-v14i12.50349Palavras-chave:
Doença de Chagas, Trypanosoma cruzi, Epidemiologia, Vigilância em saúde, Transmissão oral, Mortalidade, Populações vulneráveis.Resumo
A doença de Chagas permanece como um relevante desafio de saúde pública no Brasil, apresentando mudanças importantes em seu comportamento epidemiológico nas últimas décadas. A análise dos estudos recentes revela aumento dos casos agudos por transmissão oral, sobretudo na Região Norte, associado ao consumo de alimentos contaminados, além da persistência de vetores secundários em áreas endêmicas. Observa-se também que a mortalidade relacionada ao Trypanosoma cruzi permanece elevada em estados como Bahia e Ceará, influenciada pelo diagnóstico tardio e pelas limitações no acompanhamento de pacientes com formas crônicas. Grupos vulneráveis, incluindo doadores de sangue, pessoas em situação de rua e populações rurais, continuam apresentando prevalência significativa da infecção, o que reforça a necessidade de vigilância contínua. De forma geral, os estudos selecionados evidenciam que, apesar dos avanços no controle vetorial, a doença mantém distribuição heterogênea e impacto relevante sobre populações socialmente vulneráveis. Os achados reforçam a importância do fortalecimento das estratégias de vigilância integrada, da ampliação das ações preventivas e da detecção precoce, visando reduzir novos casos e diminuir a mortalidade associada à doença de Chagas.
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