Eficácia das técnicas de analgesia na inserção de dispositivo intrauterino: Uma revisão sistemática de ensaios clínicos randomizado
DOI:
https://doi.org/10.33448/rsd-v14i12.50380Palavras-chave:
Analgesia, Dispositivos intrauterinos, Manejo da dor.Resumo
A inserção do Dispositivo Intrauterino (DIU) é um procedimento amplamente utilizado no planejamento reprodutivo, porém frequentemente associado a dor significativa, especialmente em mulheres nulíparas. A falta de consenso clínico sobre o método mais eficaz de analgesia tem levado ao desenvolvimento de diversos estudos randomizados, avaliando abordagens farmacológicas e não farmacológicas. Este estudo objetiva sintetizar evidências sobre a eficácia das técnicas de analgesia utilizadas durante a inserção do DIU por meio de uma revisão sistemática de ensaios clínicos randomizados. A busca foi conduzida na base PubMed utilizando descritores MeSH, sem restrição de idioma ou data. Foram incluídos ensaios clínicos randomizados que avaliaram métodos de analgesia aplicados durante a inserção do DIU, mensurando dor por escalas validadas. Excluíram-se artigos duplicados, revisões, cartas, estudos observacionais e aqueles sem acesso integral. Entre 94 estudos inicialmente identificados, 16 foram incluídos na análise final. Os métodos avaliados incluíram anestésicos locais (spray, gel e creme), analgésicos orais, agentes de maturação cervical, óxido nitroso e terapias não farmacológicas, como acupuntura. Os resultados mostraram que spray de lidocaína 10%, EMLA 5%, misoprostol e dinoprostona reduziram consistentemente os escores de dor, enquanto gel de lidocaína e óxido nitroso não apresentaram benefício significativo. Analgésicos orais tiveram eficácia variável, destacando-se naproxeno e tramadol em alguns estudos. A acupuntura demonstrou resultados promissores. Conclui-se que técnicas tópicas e agentes de preparo cervical parecem mais eficazes, embora ainda haja variabilidade metodológica. Estudos futuros devem padronizar escalas de dor, considerar nuliparidade e avaliar segurança e custo-efetividade.
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