Vinculação emocional com Inteligência Artificial na solidão: Uma perspectiva neuropsicológica a partir de estudo de caso
DOI:
https://doi.org/10.33448/rsd-v14i12.50381Palavras-chave:
Solidão, Inteligência Artificial Generativa, Neuropsicologia, Cognição Social.Resumo
Este estudo de caso clínico tem o objetivo de analisar, sob a perspectiva neuropsicológica, as repercussões do uso intensivo da IA como companhia emocional sobre funções cognitivas e afetivas, bem como refletir sobre suas implicações clínicas e éticas. Realizou-se um estudo de caso de abordagem qualitativa e caráter exploratório. A pesquisa partiu da hipótese de que o uso recorrente de agentes artificiais pode atuar como substituto vincular, impactando negativamente a cognição social e reforçando padrões de esquiva afetiva. Fundamentado em uma revisão integrativa da literatura e na avaliação neuropsicológica da participante, o estudo articulou dados obtidos por meio de entrevistas clínicas, testes psicométricos, técnicas projetivas e a Escala de Solidão e Vinculação com IA (SVIA), desenvolvida especificamente para esta investigação. Os resultados apontaram preservação do funcionamento intelectual global, mas com vulnerabilidades específicas em funções executivas, especialmente na flexibilidade cognitiva e cognição social. Também se observou alto controle inibitório, baixa espontaneidade afetiva e forte preferência por vínculos artificiais, indicando um padrão defensivo compatível com traços esquizoides. Tais achados reforçam o alerta da literatura sobre os impactos emocionais e cognitivos da solidão digitalmente mediada. No campo clínico e ético, o estudo destaca a importância de intervenções que considerem os efeitos da tecnologia sobre os modos de vinculação. A psicoterapia com foco na cognição social, no fortalecimento das experiências relacionais e na integração afetiva progressiva é recomendada. A pesquisa contribui para ampliar o debate sobre o uso da IA em contextos afetivos, propondo uma reflexão crítica sobre seus riscos e possibilidades.
Referências
Abreu, C. N., Eisenstein, E., & Estefenon, S. (2008). Dependência de internet e de jogos eletrônicos: Uma revisão. Brazilian Journal of Psychiatry, 30(2), 156–167. https://doi.org/10.1590/S1516-44462008000200014
Abreu, C. N., Eisenstein, E., & Estefenon, S. G. B. (2013). Vivendo esse mundo digital: impactos na saúde, na educação e nos comportamentos sociais. Artmed Editora.
Alencar, M. V. M. (2008). Saúde mental e aprendizagem: O brincar como instrumento de avaliação psicológica [Monografia de pós-graduação, Universidade Federal do Ceará]. Repositório Institucional da UFC. http://www.repositorio.ufc.br/handle/riufc/38209
Amaral, A. E. V. (2017). As Pirâmides Coloridas de Pfister (5ª ed.). Hogrefe.
American Psychiatric Association. (2013). Diagnostic and statistical manual of mental disorders (5ª ed.). American Psychiatric Publishing.
Andrade, Q., & Silva, C. (2023). Revisão da Literatura Sobre Assistentes Virtuais para Apoio Psicológico Utilizando Inteligência Artificial. In Anais da XXIII Escola Regional de Computação Bahia, Alagoas e Sergipe, (pp. 9-18). Porto Alegre: SBC. https://doi.org/10.5753/erbase.2023.236057
Brickenkamp, R., Schmidt-Atzert, L., & Liepmann, D. (2019). Teste d2 – Revisado (d2-R) (2ª ed.). Hogrefe.
Cacioppo, J. T., & Hawkley, L. C. (2009). Perceived social isolation and cognition. Trends in Cognitive Sciences, 13(10), 447–454. https://doi.org/10.1016/j.tics.2009.06.005
Conselho Federal de Psicologia. (2019). Resolução CFP nº 006/2019, de 29 de março de 2019. Institui regras para a elaboração de documentos escritos produzidos pela(o) psicóloga(o) no exercício profissional. https://atosoficiais.com.br/cfp/resolucao-do-exercicio-profissional-n-6-2019
Conselho Regional de Psicologia – 9ª Região. (2015). Caderno de orientação ao trabalho do(a) profissional psicólogo(a) (2ª ed.). CRP-09.
Cunha, J. A. (2001). Manual da versão em português das Escalas Beck. Casa do Psicólogo.
Del Prette, A., & Del Prette, Z. A. P. (2001). Inventário de Habilidades Sociais (IHS). Casa do Psicólogo.
Diamond, A. (2013). Executive functions. Annual Review of Psychology, 64, 135–168. https://doi.org/10.1146/annurev-psych-113011-143750
Feijó, L. P., Serafini, S., & Fogaça, T. (2013). Reflexão conceitual e empírica da importância dos instrumentos de entrevista inicial: Anamnese e genograma. Anais da Mostra de Iniciação Científica do CESUCA. https://ojs.cesuca.edu.br/index.php/mostrac/article/view/448
Folstein, M. F., Folstein, S. E., & McHugh, P. R. (1975). Mini-mental state: A practical method for grading the cognitive state of patients for the clinician. Journal of Psychiatric Research, 12(3), 189–198. https://doi.org/10.1016/0022-3956(75)90026-6
Gorenstein, C., & Andrade, L. (1998). Beck Depression Inventory: Psychometric properties of the Portuguese version. Revista de Psiquiatria Clínica, 25(5), 245–250. https://www.researchgate.net/publication/284700806_Inventario_de_depressao_de_Beck_Propriedades_psicometricas_da_versao_em_portugues
Jantara, R. D., Abreu, D. P. G., de Paula, A. C. S. F., Jantara, A., & da Silva Ziani, J. (2024). Isolamento social e solidão em estudantes universitários: revisão integrativa de literatura. Revista de Enfermagem e Atenção à Saúde, 13(3). DOI: https://doi.org/10.18554/reas.v13i3.5930 (https://seer.uftm.edu.br/revistaeletronica/index.php/enfer/article/view/5930)
Kim, N., & Katagiri, K. (2024). The paradox of connection: mutual following’s impact on loneliness among older adults in online networks. Innovation in Aging, 8(Suppl 1), 208. https://doi.org/10.1093/geroni/igae098.0673
Kretzschmar, K., Tyroll, H., Pavarini, G., Manzini, A., & Singh, I. (2019). Can your phone be your therapist? Biomedical Informatics Insights, 11, 1–9. https://doi.org/10.1177/1178222619829083
Lins, M., & Borsa, J. (2017). Avaliação psicológica: Aspectos teóricos e práticos. Vozes.
Martins, P. A. P. C. (2015). Escuta ativa nos cuidados de enfermagem: Uma intervenção confortadora [Tese de doutorado, Universidade de Lisboa]. http://hdl.handle.net/10400.14/18342
Livesley, W. J., & Larstone, R. (2018). Handbook of Personality Disorders. Guilford Press. https://books.google.com.br/books?hl=pt-BR&lr=&id=uLk8DwAAQBAJ&oi=fnd&pg=PP1&dq=Livesley+%26+Larstone,+2018&ots=KZp33uiQqk&sig=1AQyteiKqanxGJjO8wFo6o_vXYk#v=onepage&q=Livesley%20%26%20Larstone%2C%202018&f=false
Mushtaq, R., Shoib, S., Shah, T., & Mushtaq, S. (2014). Relationship between loneliness, psychiatric disorders and physical health ? A review on the psychological aspects of loneliness. Journal of clinical and diagnostic research : JCDR, 8(9), WE01–WE4. https://doi.org/10.7860/JCDR/2014/10077.4828
Pereira, A. S. et al. (2018). Metodologia da pesquisa científica. [free ebook]. Santa Maria: Editora da UFSM.
Oliveira, M. S., & Rigoni, M. S. (2014). Figuras complexas de Rey: Teste de cópia e de reprodução de memória de figuras geométricas complexas (2ª ed.). Pearson Clinical Brasil.
Paula, J. P., & Malloy-Diniz, L. F. (2018). Teste de Aprendizagem Auditivo-Verbal de Rey (RAVLT). Vetor.
Rivero, A., Abreu, N., & Malloy-Diniz, L. (2014). Neuropsicologia da aprendizagem e memória. (2ª ed.). Artmed.
Rueda, F. J. M. (2013). Bateria Psicológica para Avaliação da Atenção (BPA). Vetor.
Sedó, M., Paula, J. J., & Malloy-Diniz, L. (2015). Five Digit Test – Teste dos cinco dígitos (FDT). Hogrefe.
Sharkey, A., & Sharkey, N. (2012). Granny and the robots: Ethical issues in robot care for the elderly. Ethics and Information Technology, 14, 27–40. https://doi.org/10.1007/s10676-010-9234-6
Silva, F. C., & Lima, F. F. V. (2023). IPHEXA – Inventário de Personalidade e Habilidades Emocionais e Afetivas. Vetor.
Sisto, F. F., Santos, A. A. A., & Noronha, A. P. P. (no prelo). R-1: Teste não verbal de inteligência – Forma B. Vetor.
Tardivo, L. S. L. P. C., Moraes, M. C. V., Marques, A. M., & Tosi, S. M. V. D. (2024). A técnica do desenho da casa-árvore-pessoa (HTP): Avaliação psicológica no contexto brasileiro. São Paulo: Vetor Editora.
Toassi, R. F. C. & Petry, P. C. (2021). Metodologia científica aplicada à área da saúde. (2ed). Eitora da UFRGS.
Vaidyam, A. N., Wisniewski, H., Halamka, J. D., Kashavan, M. S., & Torous, J. B. (2019). Chatbots and conversational agents in mental health: A review of the psychiatric landscape. Canadian Journal of Psychiatry, 64(7), 456–464. https://doi.org/10.1177/0706743719828977
Downloads
Publicado
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2025 Cliciane da Silva Monteiro, Letícia Martins Ribeiro Candido

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.
Autores que publicam nesta revista concordam com os seguintes termos:
1) Autores mantém os direitos autorais e concedem à revista o direito de primeira publicação, com o trabalho simultaneamente licenciado sob a Licença Creative Commons Attribution que permite o compartilhamento do trabalho com reconhecimento da autoria e publicação inicial nesta revista.
2) Autores têm autorização para assumir contratos adicionais separadamente, para distribuição não-exclusiva da versão do trabalho publicada nesta revista (ex.: publicar em repositório institucional ou como capítulo de livro), com reconhecimento de autoria e publicação inicial nesta revista.
3) Autores têm permissão e são estimulados a publicar e distribuir seu trabalho online (ex.: em repositórios institucionais ou na sua página pessoal) a qualquer ponto antes ou durante o processo editorial, já que isso pode gerar alterações produtivas, bem como aumentar o impacto e a citação do trabalho publicado.
