Saberes indígenas e o ensino de Química: Roteiros experimentais a partir da extração do sal do aguapé
DOI:
https://doi.org/10.33448/rsd-v14i12.50382Palavras-chave:
Ensino de Química , Educação intercultural, Saberes indígenas, Experimentação, Aguapé.Resumo
A Lei nº 11.645/2008 estabelece a obrigatoriedade do estudo da história e cultura indígena na educação básica brasileira, mas a inserção de saberes indígenas no ensino de Química ainda ocorre de forma pontual e, em geral, dissociada de práticas experimentais sistematizadas. O objetivo deste artigo é desenvolver e sistematizar roteiros experimentais baseados na técnica tradicional de extração do sal do aguapé pelos Waurá, articulando conceitos de Química Analítica com uma perspectiva intercultural voltada à formação inicial de professores. Trata-se de uma pesquisa de desenvolvimento de material didático, de natureza qualitativa, fundamentada em pesquisa bibliográfica e em experimentação em laboratório universitário. A partir da descrição documental da prática indígena, foram elaborados três roteiros experimentais que exploram etapas de coleta, secagem, combustão, solubilização e análise do sal obtido, mobilizando conceitos de conservação de massa, solubilidade, titulação de precipitação e gravimetria. Os resultados evidenciam que a técnica do sal do aguapé pode ser traduzida em atividades experimentais coerentes com os conteúdos de Química Analítica, sem desconsiderar sua dimensão cultural e histórica. Conclui-se que os roteiros propostos constituem um caminho metodológico para integrar saberes indígenas documentados ao ensino universitário de Química, contribuindo para uma formação docente mais crítica, contextualizada e sensível à diversidade epistêmica.
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