Microbiota intestinal e doenças cardiovasculares: influências dos padrões alimentares no eixo intestino coração
DOI:
https://doi.org/10.33448/rsd-v14i12.50407Palavras-chave:
Doenças cardiovasculares, Microbiota, Padrões alimentares, Eixo intestino coração.Resumo
Introdução: A microbiota intestinal participa de processos essenciais para a saúde metabólica e imunológica, e sua desregulação tem sido associada ao risco aumentado de doenças cardiovasculares. Metabólitos como o TMAO favorecem processos ateroscleróticos, enquanto ácidos graxos de cadeia curta possuem efeitos protetores. Nesse contexto, os padrões alimentares surgem como o principal modulador da composição microbiana. Objetivo: O objetivo desta revisão foi analisar como a microbiota intestinal influencia o desenvolvimento de doenças cardiovasculares e avaliar o papel dos padrões alimentares na modulação dessa relação. Metodologia: O estudo é uma revisão sistemática, e foi realizada nas bases PubMed, Lilacs e Medline, incluindo artigos publicados entre 2023 e novembro de 2025. Após aplicar critérios de inclusão e exclusão, 11 estudos foram selecionados. Resultados: Os resultados mostraram que dietas mediterrâneas e baseadas em plantas aumentam a diversidade microbiana e a abundância de bactérias produtoras de ácidos graxos de cadeia curta, o que melhora marcadores cardiometabólicos. Vários estudos identificaram espécies específicas, como Oscillibacter, associadas a níveis mais baixos de colesterol não-HDL, sugerindo papel direto no metabolismo lipídico. Metabólitos microbianos como PAGln e TMAO foram consistentemente relacionados ao aumento da inflamação e de eventos cardiovasculares. Fatores como sexo, etnia e idade também influenciaram o perfil microbiano associado ao risco cardiovascular. Além disso, intervenções com Lactobacillus plantarum demonstraram redução significativa dos níveis de TMAO. Conclusão: Conclui-se que padrões alimentares saudáveis são fundamentais para otimizar a microbiota intestinal e reduzir o risco cardiovascular.
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