Influências na autoeficácia de estudantes dos cursos de enfermagem e medicina
DOI:
https://doi.org/10.33448/rsd-v14i12.50413Palavras-chave:
Desempenho Acadêmico, Estudantes de Medicina, Estudantes de Enfermagem, Autoeficácia.Resumo
O objetivo deste estudo foi analisar as evidências científicas sobre a autoeficácia de estudantes dos cursos de Enfermagem e Medicina, considerando sua relação com o perfil sociodemográfico, condições de saúde e desempenho acadêmico. Trata-se de uma revisão integrativa conduzida conforme as etapas metodológicas propostas por Souza, Silva e Carvalho, utilizando a estratégia PICO para formulação da pergunta norteadora. A busca foi realizada nas bases LILACS/BVS, PubMed e SciELO, sem recorte temporal, de modo a contemplar a evolução conceitual da autoeficácia e garantir maior abrangência das evidências disponíveis. Foram incluídos estudos em português, inglês e espanhol, disponíveis na íntegra e relacionados diretamente ao tema. Dos 78 artigos identificados, 9 atenderam aos critérios de elegibilidade e compuseram a amostra final. Os resultados demonstraram que a autoeficácia está consistentemente associada ao desempenho acadêmico, saúde mental, estratégias de aprendizagem, resiliência e engajamento estudantil. Fatores como metodologias ativas, apoio emocional docente, experiências práticas e motivação interna mostraram-se relevantes para fortalecer a autoeficácia. Por outro lado, estresse, burnout e baixa percepção de capacidade relacionaram-se à pior desempenho. Conclui-se que a autoeficácia desempenha papel central na formação em Enfermagem e Medicina, influenciando tanto o rendimento acadêmico quanto o bem-estar emocional. O fortalecimento dessa crença deve ser incorporado às práticas pedagógicas como estratégia essencial para promover aprendizagem, resiliência e preparação para a prática clínica.
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