Aspectos clínicos e laboratoriais de casos de esporotricose em felinos domésticos (Felis catus) em Fortaleza, Ceará
DOI:
https://doi.org/10.33448/rsd-v14i12.50433Palavras-chave:
Gatos, Sporothrix spp., Zoonoses.Resumo
A esporotricose é uma micose subcutânea causada pelo fungo Sporothrix spp., historicamente associada à manipulação de solo e material vegetal contaminado e conhecida como “doença do jardineiro”. Atualmente, destaca-se pela transmissão zoonótica, sobretudo por arranhões e mordidas de gatos domésticos, principais fontes de infecção. A doença apresenta maior prevalência em machos jovens, não castrados e semidomiciliados. Neste contexto, este trabalho teve como objetivo investigar a presença de Sporothrix spp. em amostras de dois felinos domésticos por meio de análises laboratoriais, além de avaliar a eficácia farmacológica de agentes antifúngicos utilizados no tratamento. O diagnóstico padrão-ouro é a cultura, mas o método escolhido depende da forma clínica e das condições laboratoriais. O tratamento envolve antifúngicos como o itraconazol, embora o aumento da resistência tenha reforçado a necessidade de testes de sensibilidade. No Brasil, apesar de ser de notificação compulsória, o controle da esporotricose ainda é desafiador devido à alta carga fúngica em felinos e à complexidade da transmissão. Neste estudo, amostras de dois felinos do bairro Vila Velha (Fortaleza/CE) foram cultivadas em Ágar Batata Dextrose e submetidas a testes de sensibilidade seguindo e adaptando protocolos do CLSI, utilizando cetoconazol (KTZ), itraconazol (ITZ), fluconazol (FLZ), anfotericina B (AMB) e terbinafina (TBF). AMB e TBF apresentaram alta eficácia fungicida (0,03–1,0 µg/mL). KTZ e ITZ foram eficazes contra SPN1, enquanto SPN2 mostrou resistência ao ITZ (>16 µg/mL). O FLZ foi ineficaz para ambos (>64 µg/mL). Concluiu-se que metodologias padronizadas foram essenciais para orientar o tratamento e reduziram a resistência antifúngica.
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