Symptom Targeted Intervention (STI) na Hemofilia: Estratégias breves para reduzir sofrimento emocional e fortalecer autocuidado
DOI:
https://doi.org/10.33448/rsd-v14i12.50438Palavras-chave:
Hemofilia, Autocuidado, Terapia cognitivo-comportamental, Avaliação de resultado de intervenções terapêuticas, Estratégias de saúde.Resumo
A hemofilia permanece como uma condição crônica complexa cujos avanços terapêuticos não eliminam o impacto emocional decorrente da dor, das limitações funcionais e do medo persistente de sangramentos. Estudos recentes têm demonstrado que sintomas como ansiedade antecipatória, catastrofização, humor deprimido e baixa autoeficácia influenciam negativamente a qualidade de vida e a adesão ao tratamento, evidenciando a necessidade de abordagens psicológicas estruturadas e sintoma-alvo. Nesse contexto, intervenções breves e focalizadas vêm ganhando destaque em doenças crônicas por reduzir sofrimento emocional e favorecer o autocuidado. A Symptom Targeted Intervention (STI), originalmente desenvolvida para pacientes em hemodiálise, apresenta potencial para aplicação na hemofilia em razão de sua ênfase em sintomas específicos, sessões curtas e integração à rotina clínica. Este estudo objetivou apresentar uma revisão integrativa da literatura, envolvendo publicações entre 2021 e 2025, a fim de identificar sintomas predominantes, analisar evidências de intervenções breves e propor um modelo de STI adaptado ao contexto hemofílico. Dez estudos preencheram os critérios de elegibilidade. Os achados indicam que a hemofilia compartilha processos emocionais centrais observados em outras condições crônicas nas quais a STI se mostrou eficaz, justificando sua aplicação. Propõe-se um modelo composto por avaliação focal, intervenção breve cognitivo-comportamental, treino de autocuidado e integração multiprofissional. Conclui-se que a adaptação da STI para hemofilia pode representar um avanço conceitual e clínico no cuidado emocional, ampliando autonomia, engajamento terapêutico e qualidade de vida.
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