Leptospirose ictérica em um adolescente urbano: Apresentação Atípica com Síndrome de Weil e Colecistite Reativa
DOI:
https://doi.org/10.33448/rsd-v14i12.50479Palavras-chave:
Leptospirosis, Enfermedad de Weil, Colecistitis Alitiásica, Zoonosis.Resumo
Introdução: A leptospirose é uma zoonose bacteriana global causada pela Leptospira. Embora tradicionalmente rural, ela ressurgiu em áreas urbanas devido ao saneamento deficiente, apresentando-se desde formas leves até a síndrome de Weil, que é letal, exigindo alta suspeita clínica. Objetivo: O objetivo deste relato é descrever o caso clínico de um adolescente urbano com leptospirose ictérica complicada por síndrome de Weil e colecistite reativa, enfatizando os achados clínicos, bioquímicos e de imagem que guiaram o diagnóstico diferencial, bem como a evolução terapêutica favorável após o início precoce do tratamento antibiótico. Metodologia: Realizou-se um estudo de caso retrospectivo seguindo as diretrizes CARE. Analisaram-se dados clínicos, laboratoriais e de imagem do prontuário eletrônico de um paciente pediátrico, com consentimento informado dos pais. Apresentação do Caso: Um adolescente urbano de 14 anos da Colômbia, sem exposição rural, apresentou febre, cefaleia e um exantema pruriginoso incomum, evoluindo para icterícia marcada e dor abdominal. Os exames mostraram trombocitopenia, hiperbilirrubinemia direta (4,0 mg/dL) e CPK elevada, descartando dengue. A IgM positiva confirmou leptospirose e a ultrassonografia revelou colecistite alitiásica reativa. Após tratamento com ceftriaxona e doxiciclina, o paciente recuperou-se totalmente e teve alta no terceiro dia. Discussão: Este caso ilustra a complexidade diagnóstica da leptospirose urbana, destacando manifestações atípicas como exantema e colecistite. A rápida diferenciação de outras doenças febris e o uso de antibióticos evitaram complicações maiores. Conclusão: É vital incluir a leptospirose no diagnóstico diferencial de síndromes febris ictéricas urbanas. A vigilância ativa e o tratamento antibiótico oportuno são determinantes para reduzir a letalidade, reforçando a necessidade de uma abordagem preventiva One Health.
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