Suplementação de coenzima Q10 em pacientes com insuficiência cardíaca: Uma revisão da literatura
DOI:
https://doi.org/10.33448/rsd-v15i4.50993Palavras-chave:
Insuficiência cardíaca, Suplementação, Coenzima Q10, Doença cardiovascular.Resumo
A Coenzima Q10 (CoQ10), antioxidante presente em alimentos e sintetizada endogenamente, tem sido estudada por seus benefícios na função cardíaca. Porém, mais pesquisas são necessárias para validar sua recomendação como tratamento não farmacológico na insuficiência cardíaca (IC). Foram avaliados os desfechos clínicos da suplementação de CoQ10 em pacientes com IC. O presente trabalho visa realizar uma revisão narrativa da literatura do período de 2018 a 2024, referente a utilização de CoQ10 como suplemento para pacientes com IC. Inicialmente, foram encontrados 236 artigos, sendo incluídos na pesquisa ensaios clínicos, estudos de centro único e empíricos sobre suplementação de CoQ10 em IC. Após a triagem, quatro estudos foram selecionados para análise. A suplementação de CoQ10 variou entre 300 mg/dia (100 mg três vezes ao dia), 300 mg/dia (dose única) e até 600 mg/dia, com tempo de intervenção variando de 30 dias a 2 anos. Os estudos que fizeram suplementação com dosagem única ≥300 mg/dia demonstraram benefícios mais evidentes, indicando aumento na fração de ejeção do ventrículo esquerdo (FEVE) e redução de NT-proBNP, melhorias no teste de caminhada de 6 minutos (6MWT), mudança de classificação funcional da New York Heart Association (diminuição de eventos cardiovasculares maiores (MACE) nos grupos suplementados. Com isso, a CoQ10 pode apresentar eficácia ao ser utilizada como uma terapêutica complementar, ajudando na melhora da função cardíaca e na redução de desfechos clínicos adversos em pacientes com insuficiência cardíaca. No entanto, destaca-se a necessidade de novos estudos para consolidar a evidência científica e nortear futuras recomendações nas diretrizes clínicas.
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