Habilidades emocionais em entrevistas de seleção de residência médica
DOI:
https://doi.org/10.33448/rsd-v14i12.50372Palavras-chave:
Residência médica, Soft skills, Entrevista, Inteligência emocional, Processo seletivo.Resumo
O processo seletivo para residência médica no Brasil tem incorporado, além da avaliação de competências técnicas, o reconhecimento da importância das habilidades emocionais, como empatia, resiliência e inteligência emocional. Este estudo teve como objetivo analisar a presença, as características e os critérios de avaliação da etapa de entrevista nos processos seletivos para residência médica no Brasil, identificando quais competências são valorizadas, o grau de padronização entre os editais e como esses elementos refletem as demandas contemporâneas da formação médica, especialmente no que se refere à avaliação de soft skills. As variáveis foram analisadas por meio de estatística descritiva e categorização qualitativa baseada na análise de conteúdo de Bardin. Observou-se que 52% dos editais incluíam a entrevista como etapa avaliativa, embora 7,7% desses não especificassem os critérios utilizados. A pontuação atribuída à entrevista variou de 2 a 50 pontos, com predomínio de peso entre 10% e 20% da nota final. As competências socioemocionais mais valorizadas incluíram empatia, ética, inteligência emocional, liderança e trabalho em equipe. Apesar da crescente valorização das soft skills, a ausência de padronização nos critérios e na pontuação evidencia fragilidades no processo. Conclui-se que a entrevista tem se consolidado como etapa relevante na seleção, porém ainda carece de diretrizes claras que garantam equidade e eficácia na avaliação. Sugere-se a criação de critérios uniformizados e o fortalecimento da formação médica em competências emocionais, visando à seleção e formação de profissionais mais preparados para os desafios humanos e técnicos da prática médica.
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