Uso de cetamina como anestésico e antidepressivo: Revisão de evidências clínicas
DOI:
https://doi.org/10.33448/rsd-v14i12.50391Palavras-chave:
Cetamina, Depressão resistente, Antidepressivos.Resumo
A cetamina, tradicionalmente utilizada como anestésico dissociativo, tem emergido como uma alternativa terapêutica de rápido início no tratamento de transtornos depressivos, especialmente em casos resistentes. O objetivo deste estudo foi analisar as evidências clínicas sobre o uso da cetamina como anestésico e antidepressivo. Trata-se de uma revisão sistemática da literatura, realizada na Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), utilizando os descritores “ketamina” AND (“depressão” OR “transtorno depressivo” OR “transtorno depressivo maior” OR “transtorno depressivo resistente a tratamento”). Foram identificadas 122 publicações, das quais 10 ensaios clínicos randomizados atenderam aos critérios de inclusão. Os estudos demonstram que a cetamina promove redução rápida dos sintomas depressivos, com efeitos significativos observados em até duas horas após a administração, incluindo diminuição da ideação suicida. Sua ação ocorre pela modulação glutamatérgica via antagonismo ao receptor NMDA, favorecendo neuroplasticidade e restauração sináptica. Além disso, apresenta poucos efeitos cognitivos adversos e maior facilidade de implementação quando comparada à terapia eletroconvulsiva. No entanto, variáveis como número de falhas terapêuticas prévias e maior gravidade dos sintomas podem limitar a resposta clínica, reforçando a necessidade de avaliação individualizada. Conclui-se que a cetamina é uma alternativa eficaz e rápida para depressão resistente, embora ainda seja necessária padronização de protocolos, estudos de segurança em longo prazo e critérios mais robustos de elegibilidade clínica.
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