A relação entre hábitos alimentares e prevalência de cárie na primeira infância
DOI:
https://doi.org/10.33448/rsd-v15i4.50912Palavras-chave:
Cárie dentária, Primeira infância, Hábitos alimentares, Prevenção, Saúde bucal infantil.Resumo
A cárie dentária é uma das doenças crônicas mais prevalentes na infância, é multifatorial e fortemente influenciada por hábitos alimentares inadequados. Este estudo teve como objetivo analisar a relação entre hábitos alimentares e prevalência de cárie na primeira infância (0-6 anos), enfatizando o papel da nutrição, educação em saúde e prevenção. A revisão narrativa identificou que o consumo frequente de açúcares livres e ultraprocessados, especialmente entre refeições e no período noturno, promove desequilíbrio da microbiota bucal, acúmulo de biofilme e maior risco de lesões cariosas, com odds ratio de 1,59 em meta-análises recentes. No Brasil, apesar de avanços, 46,83% das crianças de 5 anos apresentam experiência de cárie (média dmft = 2,14) e 41,2% têm cárie não tratada, com desigualdades regionais e socioeconômicas marcantes (SB Brasil, 2023). Fatores protetores incluem dieta equilibrada, aleitamento materno exclusivo, higiene oral adequada e uso de flúor. Aspectos socioeconômicos, culturais e comportamentais modulam as práticas alimentares e de cuidado bucal. A integração interdisciplinar entre odontologia e nutrição, com ênfase em orientações precoces aos cuidadores e políticas públicas, é essencial para reduzir a prevalência e promover saúde bucal infantil plena.
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