Doença de Chagas Aguda no Brasil: Uma revisão dos casos relatados e dos padrões de transmissão
DOI:
https://doi.org/10.33448/rsd-v15i4.50974Palavras-chave:
Doença de Chagas Aguda, Transmissão oral, Trypanosoma cruzi, Epidemiologia, Brasil.Resumo
Introdução: A Doença de Chagas Aguda (DCA) permanece como um importante problema de saúde pública no Brasil, apresentando mudanças significativas em seu perfil epidemiológico nas últimas décadas. Objetivo: Este estudo teve como objetivo analisar criticamente os padrões de transmissão, a distribuição geográfica e os desfechos clínicos da DCA no país. Métodos: Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, com abordagem descritiva e exploratória, baseada em estudos publicados entre 1991 e 2024 nas bases PubMed, SciELO e LILACS. Foram incluídos estudos originais, relatos e séries de casos que descrevessem episódios de DCA confirmados laboratorialmente no Brasil. Resultados: Os resultados evidenciam uma reconfiguração do perfil epidemiológico da doença, com predominância crescente da transmissão oral, especialmente associada ao consumo de alimentos contaminados, como açaí e caldo de cana, e forte concentração de casos na Região Norte, particularmente no estado do Pará. Observou-se, ainda, expansão geográfica para áreas anteriormente consideradas não endêmicas, além de grande variabilidade na magnitude dos surtos. Do ponto de vista clínico, destacam-se manifestações inespecíficas iniciais e risco de complicações graves, especialmente cardíacas, associadas a maior carga parasitária. Conclusão: A DCA no Brasil apresenta caráter dinâmico e multifatorial, exigindo o fortalecimento das estratégias de vigilância epidemiológica, com ênfase na segurança alimentar, detecção precoce de surtos e capacitação dos profissionais de saúde.
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