Inovação na Maturidade Institucional de Universidades Públicas: Limites e integração das capacidades organizacionais
DOI:
https://doi.org/10.33448/rsd-v15i4.50998Palavras-chave:
Inovação, Maturidade Institucional, Universidades Públicas, Capacidades Organizacionais, Governança.Resumo
A inovação, no contexto das universidades públicas brasileiras, manifesta-se menos como resultado da adoção de tecnologias ou da multiplicação de iniciativas e mais como expressão da capacidade institucional de articular práticas, processos e estruturas no funcionamento organizacional. Este artigo objetiva analisar o papel da inovação na maturidade institucional, com foco nos limites e nas condições organizacionais que condicionam sua consolidação como prática institucional. Adota-se abordagem qualitativa de natureza analítico-conceitual, baseada na articulação entre literatura especializada e análise de dispositivos normativos que incidem sobre a atuação das universidades públicas. Os resultados indicam que a presença de iniciativas inovadoras não implica sua incorporação ao funcionamento institucional, sendo recorrentes situações de fragmentação organizacional, baixa coordenação entre unidades e dificuldades na integração de fluxos informacionais. A análise do arcabouço normativo evidência que a inovação se desenvolve em um ambiente regulado, marcado por exigências de controle, transparência e padronização, que condicionam sua operacionalização, nesse contexto, a maturidade institucional não se expressa pela quantidade de iniciativas, mas pela capacidade de integrá-las e sustentá-las ao longo do tempo. Conclui-se que a inovação depende da articulação entre capacidades organizacionais e exigências normativas, sendo condicionada pelas formas de coordenação e integração que estruturam a ação institucional.
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